quinta-feira, 9 de julho de 2009

Me encanta...

Absolutamente não era o sorriso mais bonito que já vira, mas o modo que estremecia dos pés da cabeça ao vê-lo sorrir era algo que ia além do que podia compreender.
E da mesma forma com os olhos, e o jeito de andar.
E cada fio de cabelo e cada pêlo eriçado de cada parte do seu corpo não lhe permitiam desviar o olhar do movimento de sua boca quando falava, e seus ouvidos não se permitiam a qualquer ruído que não fosse o som da sua voz.
Mas é liberdade demais deixar que alguém te faça sorrir tão verdadeiramente, ou te faça querer que o mundo pare num abraço.
Que te deixe vulnerável a ponto de chorar como criança que cai em meio a brincadeira, e já te faça esquecer o instante passado ao tocar tua mão.
Não podia se esquecer de que o fogo que aquece é o mesmo que queima. Não correria o risco de entregar assim seus pensamentos e tudo aquilo que se orgulhava de chamar de seu.
Amar, definitivamente, era um luxo ao qual ela não se permitiria.
Mas ele tinha algo que ela nunca encontrou em ninguém, até que um dia desistiu de procurar.

Tentava inutilmente explicar para si, o que a contradizia é que já sabia; sempre soubera e sem vírgula de erro sequer.

Só o que conseguiu foram algumas palavras fáceis, as difíceis lhe fugiam e até mesmo as mais simples pareciam querer lhe escapar: verbos e advérbios e principalmente conjunções - dessas que unem, que fazem ter sentido.
Talvez fosse mesmo pra ser assim, plenamente sentido, com todos os seus elos e ligas, mas inutilmente, conscientemente indecifrável.
Mas não era de se contentar.
O incomum lhe acometera de súbito, e de súbito flagrou-se tentando entender, entender o torpor, a vista embaçada.
Ela, que sempre fora equilibrada e de visão perfeita, via agora o mundo mais bonito no desequilíbrio, no eco, na distração.
E o que assustava – o descontrole, e todos aqueles sentimentos involuntários.
O descontrole, e pensamentos que coloriam imagens e criavam cenas em cenários que sequer conhecia.
Ela, que sempre escolhia o que sentir.
Que sempre selecionava em que valia a pena pensar.
Tentou outra vez.
Era aquela inconveniência por vezes sutil, por vezes grosseira, que surpreendia. Nunca antes encontrara alguém que sabia a hora de ficar perto, quando ela já havia dito e redito que queria mesmo era ficar só.
Ela, que odiava demonstrar os sentimentos ruins, no fundo (e isso escondia até de si) sempre quis que alguém visse por entre todas as máscaras sorridentes.

E quando indagada se estava tudo bem, respondia:
- É claro - e ainda ousava perguntar o porquê.
E então o abraço – Que fazia tudo parar, ou tudo girar, ou simplesmente tudo.

Aquilo, soube explicar enfim, era o que ele tinha de tão especial: o sentir.





___

Texto de Nathália.
Ou... (nah). xD
Enfim, admiro seus escritos e é com imenso prazer e claro, com sua permissão... Que posto hoje, aqui, um texto bonito de se ler. *-*
hahaha :D

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